Meditação

A intenção da Igreja é honrar hoje todos os Santos colectivamente. Amo-os, invoco-os, uno-me a eles, junto a minha voz às suas para louvar Aquele que os fez santos.  É de bom grado que exclamo com essa Igreja celeste: Santo, Santo, Santo, só a Deus a glória!  Que tudo se reduza a nada diante dele!

Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade...
Quem é homem e mulher de esperança – a grande esperança que a fé nos dá – sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende... Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho... Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas.

No âmago daquelas que os latinos chamavam "feriae Augusti", férias de Agosto – da qual deriva a palavra italiana "ferragosto" – a Igreja celebra no dia de hoje a Assunção da Virgem Maria de corpo e alma ao Céu.

Virgem e Mãe Maria,
Vós que, movida pelo Espírito,
acolhestes o Verbo da vida
na profundidade da vossa fé humilde,
totalmente entregue ao Eterno,
ajudai-nos a dizer o nosso «sim»
perante a urgência, mais imperiosa do que nunca,
de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus.

Não vos acomodeis a este mundo.  Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus:  o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito. […]

«Não vos deixarei órfãos» (Jo 14,18)
A missão de Jesus, que culmina no dom do Espírito Santo, tinha este objectivo essencial:  reatar a nossa relação com o Pai, arruinada pelo pecado; tirar-nos da condição de órfãos e restituir-nos à condição de filhos.

Hoje Nosso Senhor Jesus Cristo sobe ao céu; suba também com Ele o nosso coração.  Ouçamos o que nos diz o Apóstolo: Se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Ponde o vosso coração nas coisas do céu, não nas da terra.

«Terminado o sábado, ao romper do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro» (Mt 28,1).  Podemos imaginar aqueles passos:  o passo típico de quem vai ao cemitério, passo cansado da confusão, passo debilitado de quem não se convence que tudo tenha acabado assim.  Podemos imaginar os seus rostos pálidos, banhados pelas lágrimas.  E a pergunta:  Como é possível que o Amor tenha morrido?

A ressurreição não nos é proposta como um repouso na bem-aventurança longe das barafundas da terra, nem como uma recompensa individual e duramente conquistada, nem como uma miragem projectada no futuro de uma explosão cósmica.  É um dom, sim, mas já agora e aqui. 

Eterno Pai,
através da Paixão do vosso dilecto Filho,
quisestes revelar-nos o vosso coração
e dar-nos a vossa misericórdia.

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